Autora: Larissa Barros Leal
Editora: Novo Século
Páginas: 271
Gênero: Drama/Romance
Sinopse: Moscou. Dois jovens sobrevivem a um duplo atentado que mata quase todos os seus amigos. Cairo. Uma ONG islâmica tenta escapar de uma armadilha, arquitetada por integrantes da Ordem das Doze Tribos de Israel. Washington. Na sede da Ordem, a filha de um funcionário da Casa Branca cai em ciladas para que seu pai colabore com os radicais. Pequim. Um filho procura o pai, há meses desaparecido. Fortaleza. Em uma triste manhã, Érica encontra seus pais mortos... Nessa incrível trama, todas essas histórias se entrelaçam de forma impressionante. E somente Érica, que acaba de descobrir que foi incluída em uma lista negra da Ordem das Doze Tribos de Israel, poderá impedir uma grande desgraça planejada por judeus fundamentalistas, prestes a atingir a todos.
Uma mulher morrendo pelo trabalho árduo. Jovem vendo o povo morrer aos poucos de cansaço e fome. Todos querendo saber quando a paz irá chegar. É assim que começa o livro Érica, da autora Larissa Barros Leal, publicado pela Novo século pelo selo Talentos da literatura brasileira e que possui 2 edições já publicadas.
Foi para isso que sobrevivemos a Hitler? Para morrermos nas mãos de muçulmanos loucos? Quando teremos paz?
Érica mora em Fortaleza e está alegre para o seu aniversário de 15 anos, o sonho de toda adolescente está prestes a se concretizar. Jamil está a algum tempo trabalhando em um projeto. Era a segunda vez que o Brasil sofria atentados. Katia e Ivan presenciam um duplo atentado na boate mais badalada de Moscou. Natalie e seus amigos foram sequestrados por pessoas que queriam informações de seu pai, funcionário da Casa Branca. Chang está a procura de seu pai, a meses desaparecido, achando que ele morreu ou se suicidou. Jamil é presidente de uma ONG que tem como objetivo levar o islamismo ao mundo.
O grande dia de Érica chegou, mas depois da grande festa ela recebe a notícia de que seus pais estão mortos, conversa com Derek, um agente da Europol, que conta que os culpados pela morte iriam mata-la, mas preferiram matar seus pais, e por um motivo de vingança ela decide viajar com o conhecido, assim que descobriu que faz parte da lista negra da Ordem das Doze Tribos de Israel, cujo objetivo é espalhar o judaísmo pelo mundo.
Ao fim da música, a mãe, ainda com o microfone, fez um breve discurso. O tomara que caia azul e prata realçava suas curvas. Longo, dificultava a visão do sapato, que a filha sabia ser preto com fundo azul
Esse deve ser o livro com mais personagens que eu li, no resumo eu coloquei apenas os principais para não deixar a resenha muito longa. O número de personagens atrapalha um pouco no início, quando a autora se esforça para nos envolver no universo de cada um, mas na ''Parte 2'' do livro já estamos imersos nessa trama cheia de intrigas e descobertas.
Por incrível que pareça a autora conseguiu aprofundar seus personagens, que não são poucos, em poucas páginas, fazendo com que a divisão e a leitura não fiquem cansativas, e sim melhores ainda, pois cada personagem está passando por uma situação que no decorrer da estória ira se relacionar com os outros, e é interessante acompanhar cada um e a maneira que lidam com o que está acontecendo.
Numa guerra não existem vencedores. Todos perdem... Por cada pessoa, soldado ou civil, que morre numa guerra, a humanidade perde um pouco de sua essência,e os países, parte de seu maior patrimônio... o melhor caminho é paz.
Larissa Barros Leal conseguiu mostrar o melhor e o pior do ser humano e sua fobia por religião, querendo que todos concordem com ele ao mesmo tempo que a fé os persegue, com uma narrativa fluida e envolvente, rápida e direta, que traz capítulos curtos e revelações nos momentos certos.
A religião foi muito bem apresentada, toda guerra e discórdia acontece por um querer espalhar sua religião e outro não aceitar isso ou não ser da mesma fé. O vício também é mostrado, com personagens que precisam largar a bebida e o cigarro, mas descontam neles suas incertezas e dúvidas.
A raiva foi substituída pela determinação. Ela não deixaria que a morte dos pais fosse em vão. Faria o que não queria que fizessem: enfrentá-los.
Érica mostra pessoas lutando pela paz e reconhecimento, amores sendo descobertos e famílias sendo destruídas, as histórias se relacionam com maestria, de uma maneira que no final fiquei refletindo como não percebi tudo antes.
Não encontrei erros de revisão, achei as duas edições lindas. Uma das melhores leituras do ano, uma guerra por poder e sede de vingança, assim como personagens que precisam lidar com perdas, o universo do livro é fantástico, e ao mesmo tempo nos traz reflexões sobre como estamos lidando com a religião e querendo que os outros façam algo para satisfazer nossas vontades. Curto e maravilhoso.